Manuela de Freitas/José Mário Branco, para Camané (fado Paço d'Arcos)
São as palavras que eu digo
Meu abismo e meu abrigo
Partilha de pão e espanto
Lucidez que desatina
Chão sagrado onde germina
A semente do meu canto
São as palavras que eu digo
Meu abismo e meu abrigo
A semente do meu canto
Palavras a que eu entrego
Prazer e desassossego
Tormento e consolação
A quem pergunto e respondo
Quando me exponho e me escondo
Entre a crença e a razão
A quem pergunto e respondo
Quando me exponho e me escondo
Entre a crença e a razão
Palavras que reinvento
Meu desafio e sustento
Pedras de luz e de lodo
Companheiras do caminho
Maneiras de eu estar sozinho
Abraçando o mundo todo
Companheiras do caminho
Maneiras de eu estar sozinho
Abraçando o mundo todo
Palavras que só mereço
Se em troca do que lhes peço
Der tudo que posso dar
Se um dia as não merecer
Se um dia as não merecesse
Que as não consiga dizer
Que eu nunca mais as dissesse
E que eu deixe de cantar
E deixasse de cantar
Um dia se as não merecesse
Que as não consiga dizer
Que eu deixe de cantar
Um dia, se as não merecer
Se um dia as não merecer
Que as não consiga dizer
E que eu deixe de cantar
Sunday, August 31, 2008
Friday, August 01, 2008
às vezes parece que deus tem o disco riscado!
não há quem levante a agulha e ponha o disco a andar mais à frente? uma nova música? hello?! uma música antiga? qualquer coisa que acabe com as provações parvas por que passam as pessoas que não merecem?
viva quem enlouquece nos momentos em que a loucura é útil! está vivo, provoca vida, faz nascer, e perdurar.
o meu sorriso de longe para quem um sorriso (insane) fizer sentido.
não há quem levante a agulha e ponha o disco a andar mais à frente? uma nova música? hello?! uma música antiga? qualquer coisa que acabe com as provações parvas por que passam as pessoas que não merecem?
viva quem enlouquece nos momentos em que a loucura é útil! está vivo, provoca vida, faz nascer, e perdurar.
o meu sorriso de longe para quem um sorriso (insane) fizer sentido.
Monday, June 16, 2008
devoção ao lazer para trabalhar melhor
a partir de hoje cada momento sem trabalhar conta para o trabalho correr melhor - há que respeitar os momentos de lazer.
e há que poupar todas as palavras escritas fora da tese (que tentação!!)
e há que poupar todas as palavras escritas fora da tese (que tentação!!)
Tuesday, June 10, 2008
raça, PR?
Mas ninguém acaba definitivamente com a palavra raça? Os antropólogos andamos há décadas a mudar o termo para etnia (como se vê, não tem adiantado muito); a explicar - fisicamente - que não há raças entre os humanos, uma vez que a espécie é só uma; a dizer - culturalmente - que as cores de pele têm a ver com a melanina; a contextualizar o termo, engavetando-o definitivamente nos regimes totalitários, abusadores de poder, ávidos pelo controlo sobre os outros; eu ironizo - a utilização do termo raça é, lá no fundo, inveja, uma vez que os utilizadores desse termo queriam era ter o tom de pele daqueles que dizem ter uma raça diferente.
De qualquer maneira, o PR já não sabe o que diz, coitado. É que a televisão só mostra a selecção, e depois dos 90 anos de Fátima celebrados este ano, o PR ficou confuso no tempo. Só tenho pena é do Camané, que não tem nada a ver com isto, e qualquer dia leva por tabela.
De qualquer maneira, o PR já não sabe o que diz, coitado. É que a televisão só mostra a selecção, e depois dos 90 anos de Fátima celebrados este ano, o PR ficou confuso no tempo. Só tenho pena é do Camané, que não tem nada a ver com isto, e qualquer dia leva por tabela.
Monday, June 09, 2008
a minha rua e o euro
domingo de manhã, bue calor, na minha rua.
duas velhotas chegam ao seu carro, e embirram uma com a outra, como só os casais, os irmãos e os amigos de longa data se permitem embirrar (i.e., sem rancores posteriores).
e uma diz: então ontem, quem é que ganhou? e outra, quem é que ganhou o quê? e a primeira, o euro, portugal turquia, em que terra é que tu viveS? e a outra, ganhou portugal, quem é que havia de ser. pró queles ganham têm mais é que ganhar!
duas velhotas chegam ao seu carro, e embirram uma com a outra, como só os casais, os irmãos e os amigos de longa data se permitem embirrar (i.e., sem rancores posteriores).
e uma diz: então ontem, quem é que ganhou? e outra, quem é que ganhou o quê? e a primeira, o euro, portugal turquia, em que terra é que tu viveS? e a outra, ganhou portugal, quem é que havia de ser. pró queles ganham têm mais é que ganhar!
Friday, May 23, 2008
pedintes e moralismos outra vez
O metro é um lugar social. Uma senhora de 60 anos, na moda (uma permanente eighties), diz ao pequeno pedinte, "tu tens é de ir para a escola" e ele, "mas hoje é feriado", e ela, "ahn, não me interessa, não devias andar aqui a pedir". Ele e o irmão mudaram de carruagem e ouve-se o acordeão desafinado ao fundo. (eu também queria que ele andasse na escola e que não andasse há anos a juntar raivas contra pessoas que não olham, não dão, não nada)
E desde a Alameda até ao Campo Grande, veio a falar comigo, mal me deixando intervir, sobre os falsos pedintes, e que há uma senhora no Rossio que é deixada pela filha todos os dias a pedir e que a filha é bancária, e que há outro que dá cabo das crostas da perna, "nem sei como é que ele ainda não teve uma infecção", e eu só tive tempo, entre Alvalade e o Campo Grande, de deixar no ar uma pergunta fraquinha perante a impotência em resolver este incómodo dos metros e das ruas. o que é pior, perguntei, pobres que roubam ou ricos que roubam?
E desde a Alameda até ao Campo Grande, veio a falar comigo, mal me deixando intervir, sobre os falsos pedintes, e que há uma senhora no Rossio que é deixada pela filha todos os dias a pedir e que a filha é bancária, e que há outro que dá cabo das crostas da perna, "nem sei como é que ele ainda não teve uma infecção", e eu só tive tempo, entre Alvalade e o Campo Grande, de deixar no ar uma pergunta fraquinha perante a impotência em resolver este incómodo dos metros e das ruas. o que é pior, perguntei, pobres que roubam ou ricos que roubam?
Monday, May 19, 2008
o tempo anda sempre. a pé, é verdade, mas anda. por isso demora a chegar num tempo em que se anda de carro e de avião.
se o tempo finalmente chegou a qualquer lugar, não tardará a partir. a pé, é verdade.
e enquanto se anda de carro ou de avião haverá que esperar depois como se fosse a pé percorrer a mesma distância.
quando se diz que o tempo é dinheiro, mente-se. quer-se apenas desviar a atenção daquilo que o tempo realmente é. o tempo é espaço percorrido. a pé, é verdade. mas é distância quando começa a andar e proximidade quando começa a chegar.
se o tempo finalmente chegou a qualquer lugar, não tardará a partir. a pé, é verdade.
e enquanto se anda de carro ou de avião haverá que esperar depois como se fosse a pé percorrer a mesma distância.
quando se diz que o tempo é dinheiro, mente-se. quer-se apenas desviar a atenção daquilo que o tempo realmente é. o tempo é espaço percorrido. a pé, é verdade. mas é distância quando começa a andar e proximidade quando começa a chegar.
Thursday, May 15, 2008
O pedinte que fuma - e depois?
A Morais Soares é a rua mais agitada de Lisboa (de dia). Os passeios não são assim tão estreitos, mas as pessoas andam sempre a fazer figura de Mr. Bean atrás das velhotas, simulando facas para as matar porque andam devagar de mais. Outros passeiam-se em grupos sem reparar se quem vem atrás tem pressa ou não. Outros esperam sem ordem na paragem de autocarro, ocupando mais de metade do passeio. Resumindo, os peões não se compreendem mutuamente. Não há muitos pedintes, mas há pelo menos um de pernas esticadas - uma com coto, outra ainda comprida - que ocupam mais de metade do passeio. As pessoas conhecem-no como a um vizinho: ora ignoram ora cumprimentam. O senhor fuma o seu cigarrinho. Ponto.
Hoje ouvi uma senhora, que não lhe deu nada, dizer-lhe: "o cigarro faz-lhe mal", como quem diz, pois, anda a pedir, mas isso do cigarro não ajuda. Vamos lá ver: o cigarro faz mal a toda a gente. E há outras coisas que fazem mal, como ser paternalista e dizer estas coisas às pessoas, como se fossem crianças, como se não fizessem escolhas. O senhor que pede, vamos lá ver, eu até nem dou (só a quem mostra as suas artes na rua), não o estou a desculpar, mas que raio de autoridade tem a senhora para dizer o que faz mal? Ela sabe lá se ele já fumou 40 cigarros e agora fuma dois? Ela sabe lá se ele fuma dois em vez de tomar dois ansiolíticos por causa dos sonhos com a guerra? Porque é que ela não deixa estas frases para dizer aos seus (amigos, filhos)?
O senhor pedinte, que nos olha como quem nos quer conhecer e passar a dizer bom dia, com um coto na perna esquerda, que escolheu aquela rua para se instalar o dia todo fuma o seu cigarrito - e depois? Vai dizer à polícia?
Hoje ouvi uma senhora, que não lhe deu nada, dizer-lhe: "o cigarro faz-lhe mal", como quem diz, pois, anda a pedir, mas isso do cigarro não ajuda. Vamos lá ver: o cigarro faz mal a toda a gente. E há outras coisas que fazem mal, como ser paternalista e dizer estas coisas às pessoas, como se fossem crianças, como se não fizessem escolhas. O senhor que pede, vamos lá ver, eu até nem dou (só a quem mostra as suas artes na rua), não o estou a desculpar, mas que raio de autoridade tem a senhora para dizer o que faz mal? Ela sabe lá se ele já fumou 40 cigarros e agora fuma dois? Ela sabe lá se ele fuma dois em vez de tomar dois ansiolíticos por causa dos sonhos com a guerra? Porque é que ela não deixa estas frases para dizer aos seus (amigos, filhos)?
O senhor pedinte, que nos olha como quem nos quer conhecer e passar a dizer bom dia, com um coto na perna esquerda, que escolheu aquela rua para se instalar o dia todo fuma o seu cigarrito - e depois? Vai dizer à polícia?
Tuesday, May 13, 2008
Vaca - um, 1º de Maio - zero

Apesar de ser a cidade que dá nome ao primeiro 1º de Maio (que este ano fez 122 anos), Chicago dedicou-lhe uma escultura no lugar do crime apenas em 2003. O 1º de Maio não faz parte da identidade imediata da cidade de Chicago. Os guias turísticos privilegiam a arquitectura modernista e a dos arranha-céus nas suas diversas épocas, bem como o urbanismo. O grande incêndio do final do século XIX é também matéria prima da memória comum, especialmente a lenda do que atiçou o incêncio: estava uma senhora a ordenhar uma vaca de madrugada, com uma lamparina para ajudar a ver, quando a vaca dá um coice à dita cuja e o fogo começou. A vaca apenas foi ilibada da culpa no final dos anos 1990, num acto simbólico. Como se pode ver por estes dois exemplos, a construção da memória de Chicago parece ser recente, não fosse a cidade também recente, como todas as americanas. Por enquanto a vaca ganha ao 1º de Maio, mas a união recente de 150 sindicatos e o Mayday all over the (western) world ameaça incendiar a alienação orden(h)ada.
Friday, May 09, 2008
sears tower (103º andar)

uma pessoa vem de chicago, a cidade ventosa, e pimba, aqui também está vento e frio e às vezes as nuvens nem deixam ver para que ponto cardeal estamos voltados para não nos perdermos, como na cidade com menos ruas* que conheci até agora (acho).
aqui (Lx) as vistas mais altas, tirando as amoreiras ao fundo, ressaltam uma cidade à escala humana. espantosamente, em chicago, com duas das torres mais altas do mundo e uma data de arranha-céus na baixa da cidade (como se pode chamar baixa nestas cidades altas?), a cidade para lá da baixa tem também uma escala humana, bairros de casas de três pisos a perder de vista, em bairros sucessivos que apetece conhecer.
*tem menos ruas porque as que tem têm assim uma média de 10 kms de comprimento
Thursday, May 08, 2008
adivinha que cliché presunçoso é este*
os sentimentos não se controlam
não se controla o que acontece aos outros
ninguém é independente
saber estas coisas não implica saber viver assim
*resposta certa: só sei que nada sei
não se controla o que acontece aos outros
ninguém é independente
saber estas coisas não implica saber viver assim
*resposta certa: só sei que nada sei
Monday, April 21, 2008
os escoteiros vão logo à braguilha
sexta-feira, restaurante cheio. bife à pimenta quase no fim. ainda bem que já tinha comido.
silêncio por um segundo. rapariga a dizer baixinho ai meu deus ai meu deus. está tudo virado para o meio do restaurante. está um tipo no chão, a sagrar do ouvido. caira sem amparo, do nada. está tudo a olhar. eu vai, meio segundo para apelar ao sangue frio, e viro-o de lado e depois desaperto-o. entretanto ele acorda e vai logo à braguilha, fechando-a e olhando para mim como quem diz o que é que estás a fazer. paciência para o que ele pensou. ele lá se levantou. a namorada chamou o inem a chorar. o empregado do restaurante limpou o sangue do chão a imitar calçada portuguesa. a ambulância chegou mais de meia hora depois. o grupo onde estava o tipo que caiu não jantou, ficou-se pelo pão e pelo paio. eu e amigos descemos a bica. eles diziam, pois pois, escoteira e tal, foste logo à braguilha, o rapaz até acordou logo.
silêncio por um segundo. rapariga a dizer baixinho ai meu deus ai meu deus. está tudo virado para o meio do restaurante. está um tipo no chão, a sagrar do ouvido. caira sem amparo, do nada. está tudo a olhar. eu vai, meio segundo para apelar ao sangue frio, e viro-o de lado e depois desaperto-o. entretanto ele acorda e vai logo à braguilha, fechando-a e olhando para mim como quem diz o que é que estás a fazer. paciência para o que ele pensou. ele lá se levantou. a namorada chamou o inem a chorar. o empregado do restaurante limpou o sangue do chão a imitar calçada portuguesa. a ambulância chegou mais de meia hora depois. o grupo onde estava o tipo que caiu não jantou, ficou-se pelo pão e pelo paio. eu e amigos descemos a bica. eles diziam, pois pois, escoteira e tal, foste logo à braguilha, o rapaz até acordou logo.
Friday, April 18, 2008
Derby
às oito e dez da noite na quarta feira, cheguei à paragem de autocarro para esperar pelo 26 (sem guarda-chuva). às oito e vinte chegou o 16 e depois o 56, e depois o 16 e depois o 56, e depois dois autocarros "reservados". e depois o 16. eu queria o 26; lutando contra o pessimismo, esperei. às oito e quarenta comecei a vociferar todas as asneiras possíveis, passando por louca. às oito e cinquenta desisti. comecei a andar, sob a chuva, até à caixa multibanco. levantei dinheiro sempre a vociferar. a senhora que lá estava pareceu compreender. disse, esta chuva já não faz bem a ninguém. continuei a pé, já com dinheiro para o taxi, mas de taxi nem vê-los. andei desde a avenida de berna até à praça de londres, sob chuva, vociferando, compreendida pelos homeless, algo surpreendidos. apanhei o taxi vindo de um serviço, de certeza. quando entrei percebi logo porque é que a cidade deixara de funcionar - não foi pela chuva. o senhor do relato vociferava os passos dos milionários na "grama" molhada. o sporting perdia dois a zero. vai daí, já em casa, o sporting marca um, e outro, e outro, e outro, e outro. bem feita para o motorista (de certeza que era!) benfiquista do 26.
Wednesday, April 02, 2008
Não se faz isso
Ia muito bem no metro, hora de ponta, encostada à porta, quando reparo num cego e respectivo cão, daqueles lindos. Vai eu e pimba, festinha cão. E uma senhora, que quase me bateu na pecadora mão vai e diz, "não se faz isso. é um cão de trabalho". o cego, esse, não disse nada. e eu, ok, obrigada (pela lição). o cego saiu em roma, e de roma a alvalade a senhora explicou, é um cão de trabalho, são muito bonitos, mas não se pode, porque se muita gente o fizer, eles distraem-se do seu trabalho. ok, obrigada, sabia que era um cão de trabalho, mas não sabia que não se podia dar festas.
fez-me sentir como uma criança de cinco anos, repreendida por estranhos pela primeira vez, e como dormi pouco fiquei um vidrinho com a situação. quis dizer, em voz de birra mais o beicinho respectivo, que também quero um cão, ou um gato, para fazer festinhas, um pet de trabalho em minha casa, para ser bem alimentado e que, em retorno, se deixa afagar.
fez-me sentir como uma criança de cinco anos, repreendida por estranhos pela primeira vez, e como dormi pouco fiquei um vidrinho com a situação. quis dizer, em voz de birra mais o beicinho respectivo, que também quero um cão, ou um gato, para fazer festinhas, um pet de trabalho em minha casa, para ser bem alimentado e que, em retorno, se deixa afagar.
Monday, March 31, 2008
xana, és linda. é hoje que sai o 8 dos rádio macau
... a lua está longe e mesmo assim
dançar podemos sempre se quiseres...
dançar podemos sempre se quiseres...
Wednesday, March 26, 2008
investigadores que impedem outros de investigar
fui procurar um documento num centro de documentação. não estava disponível. a funcionária ligou ao último requisitante, que tinha levado o documento na altura do natal. o requisitante retorquiu que ainda precisava do documento. a funcionária disse, mas outras pessoas também precisam. venha devolver o dito cujo e, uma semana depois, quando a pessoa que precisa do documento o devolver a horas (ao contrário de si, seu parvalhão), pode voltar a requisitá-los. e ele, então mas não me pode dar mais uma semaninha agora? (agora é tarde, já teve três meses para ler!), não senhor, não pode, porque nunca chegou a justificar porque reteve em casa tanto tempo o documento. eu acenava, contente com a funcionária, e acenava de novo, confirmando que devolveria o documento uma semana depois.
na biblioteca do iscte agora pagam-se multas por cada dia de atraso. a repressão é lixada. a funcionária deste centro não quer chegar aí, e por isso ralha aos faltosos, que vão retorquindo pedidinhos e favorzinhos.
na biblioteca do iscte agora pagam-se multas por cada dia de atraso. a repressão é lixada. a funcionária deste centro não quer chegar aí, e por isso ralha aos faltosos, que vão retorquindo pedidinhos e favorzinhos.
Monday, March 24, 2008
joão manuel serra, o senhor do adeus
Saturday, March 22, 2008
Rui Marques, o salvador da pátria
O Rui Marques foi meu patrão e não é mau patrão. Ele tem a candura das pessoas "boas", e depois é muito clean, diz coisas acertadas com a época, sabe o que faz. Anima os demais colegas a trabalhar em causas, privilegia os valores ausentes, não alinha em conversas passadistas.
Agora o Rui Marques está a juntar forças para fazer um partido, um bocadinho apartidário, um bocadinho ao centro mas contra o centrão, um bocadinho católico e um bocadinho revolutionary friendly.
É provável que o Rui Marques seja o que o tuga médio (passo o deslize arrogante) deseja para animar o país. É provável que ele ganhe muitos votos. É provável - temamos - que seja ele o D. Sebastião, o salvador da pátria como "todos gostamos". É só esse o problema. De resto, o Rui Marques não faria mal a uma mosca.
O Rui Marques, para todos os efeitos, vai ser um teste à memória do tuga médio (passo de novo o deslize arrogante). Será que alinha logo de xofre, ou será que pára para pensar que isto dos heróis é melhor desconfiar?
Agora o Rui Marques está a juntar forças para fazer um partido, um bocadinho apartidário, um bocadinho ao centro mas contra o centrão, um bocadinho católico e um bocadinho revolutionary friendly.
É provável que o Rui Marques seja o que o tuga médio (passo o deslize arrogante) deseja para animar o país. É provável que ele ganhe muitos votos. É provável - temamos - que seja ele o D. Sebastião, o salvador da pátria como "todos gostamos". É só esse o problema. De resto, o Rui Marques não faria mal a uma mosca.
O Rui Marques, para todos os efeitos, vai ser um teste à memória do tuga médio (passo de novo o deslize arrogante). Será que alinha logo de xofre, ou será que pára para pensar que isto dos heróis é melhor desconfiar?
Thursday, March 20, 2008
manhã ventosa
saí de casa de manhãzinha, sem vontade nenhuma. mas porque é que não se respeitam as "vontades nenhumas"??
apesar de tudo, contente. ia fazer o passaporte electrónico, disseram-me que era necessário para is aos states (onde espero ir em breve). lá fui ao governo civil. afinal não era preciso. porque o meu passaporte tem "leitura óptica". óptimo, gastam-se menos 60 euros (podia era ter ficado a dormir mais uma horinha, ou a trabalhar). next.
buscar o resultado da ecografia na super eficiente CREAR, muito conhecida em Lisboa, fazem-se lá muitas análises. estaria pronto hoje. afinal não. está tudo atrasado 48 horas.
"então e porque não avisaram, para que serve o número de telefone que vos damos?"
sem resposta.
"quero escrever uma reclamação" (para não desatar aos berros).
se puder vir cá a seguir ao almoço, disse a senhora, talvez já esteja pronta.
"talvez?!", tentando - sem efeito - não elevar a voz. A senhora telefona não sei a quem. Depois:
sim, se puder vir, disse a senhora, pode levantar a ecografia às14:30h. E lá saí eu, beneficiada por ter reclamado o meu direito. next
na rua, a andar, vou falando sozinha. vociferando contra a CREAR. aproxima-se uma senhora que também vocifera. sentiu-se acompanhada, talvez. Ela pensava alto contra a ventania, e disse(-me) junto à passadeira: Vem lá da Espanha [o vento]; morreu pr'aí algum galego ou quê? Eu sorri. next.
sentei-me no metro e confirmei que realmente tinha morrido um galego, no livro que estou a ler (A Morte do Decano, do Ballester). ao menos que haja um evento destes num dia ventoso em que as actividades escolhidas nos saem todas falhadas... next.
ISCTE. Tenho coisas para devolver, até hoje, num centro de documentação. Fechado. na faculdade evito pensar alto. controlei-me. next.
ginástica. Finalmente algo para relaxar. Yoga. Mas não, afinal. Período de férias, explicou-me a funcionária, depois de me ter deixado entrar, vestir o equipamento, bater com o nariz na porta da sala. next.
a paragem de autocarro tem um mostrador com o tempo de espera há 6 meses, mas nunca chegou a funcionar. Vocifero. Para que serve aquela porcaria? não sei se tenho tempo para ir à padaria afogar as mágoas num pão com chouriço ou não. Arrisco ir à padaria. Fila. E não há pão com chouriço quando chega a minha vez. What else?
apanho o autocarro pretendido séculos depois, e engano-me na paragem, distraída com a manhã ventosa, a acabar. Já em casa, onde estou, o meu teclado é um saco de boxe. já não vou buscar exame nenhum às 14:30h.
apesar de tudo, contente. ia fazer o passaporte electrónico, disseram-me que era necessário para is aos states (onde espero ir em breve). lá fui ao governo civil. afinal não era preciso. porque o meu passaporte tem "leitura óptica". óptimo, gastam-se menos 60 euros (podia era ter ficado a dormir mais uma horinha, ou a trabalhar). next.
buscar o resultado da ecografia na super eficiente CREAR, muito conhecida em Lisboa, fazem-se lá muitas análises. estaria pronto hoje. afinal não. está tudo atrasado 48 horas.
"então e porque não avisaram, para que serve o número de telefone que vos damos?"
sem resposta.
"quero escrever uma reclamação" (para não desatar aos berros).
se puder vir cá a seguir ao almoço, disse a senhora, talvez já esteja pronta.
"talvez?!", tentando - sem efeito - não elevar a voz. A senhora telefona não sei a quem. Depois:
sim, se puder vir, disse a senhora, pode levantar a ecografia às14:30h. E lá saí eu, beneficiada por ter reclamado o meu direito. next
na rua, a andar, vou falando sozinha. vociferando contra a CREAR. aproxima-se uma senhora que também vocifera. sentiu-se acompanhada, talvez. Ela pensava alto contra a ventania, e disse(-me) junto à passadeira: Vem lá da Espanha [o vento]; morreu pr'aí algum galego ou quê? Eu sorri. next.
sentei-me no metro e confirmei que realmente tinha morrido um galego, no livro que estou a ler (A Morte do Decano, do Ballester). ao menos que haja um evento destes num dia ventoso em que as actividades escolhidas nos saem todas falhadas... next.
ISCTE. Tenho coisas para devolver, até hoje, num centro de documentação. Fechado. na faculdade evito pensar alto. controlei-me. next.
ginástica. Finalmente algo para relaxar. Yoga. Mas não, afinal. Período de férias, explicou-me a funcionária, depois de me ter deixado entrar, vestir o equipamento, bater com o nariz na porta da sala. next.
a paragem de autocarro tem um mostrador com o tempo de espera há 6 meses, mas nunca chegou a funcionar. Vocifero. Para que serve aquela porcaria? não sei se tenho tempo para ir à padaria afogar as mágoas num pão com chouriço ou não. Arrisco ir à padaria. Fila. E não há pão com chouriço quando chega a minha vez. What else?
apanho o autocarro pretendido séculos depois, e engano-me na paragem, distraída com a manhã ventosa, a acabar. Já em casa, onde estou, o meu teclado é um saco de boxe. já não vou buscar exame nenhum às 14:30h.
Subscribe to:
Comments (Atom)


